É nóis na Copa 2006

30.8.06

Dia 16 - Copenhagen/Malmö/Berlin 25/06/06

Dia histórico. Nunca na minha vida imaginei que iria passar por 3 países no mesmo dia. Tomamos café na Dinamarca (Copenhagen), almoçamos na Suécia (Malmö) e jantamos na Alemanha (Berlin). Além de passar por 3 países, ainda fomos na praia e molhamos o pé no Mar do Norte, histórico!!!

Nosso dia começou no albergue de Copenhagen. Tomamos aquele café-da-manhã violento, fizemos o checkout e fomos pra estação onde largamos nossas malas no armário. Pegamos o trem rumo a Malmö, na Suécia, cidade vizinha à Copenhagen.

A viagem leva só meia hora e ainda passa pela ponte Oresund, que é a maior do mundo no seu estilo. Pena que o trem passa pelo "meio" da ponte (abaixo da pista dos carros) então não da pra ver muita coisa.

Desembarcamos na estação central de Malmö e já tivemos que trocar nosso dinheiro mais uma vez. Fomos ao centro de informações turísticas e descobrimos que lá não tem nada pra fazer: só o tradicional prédio da prefeitura, o tradicional castelo e a praia!

Então pegamos o rumo da praia. No caminho passamos no tal castelo, que era bem meia boca. Depois passamos num tipo de parque que estava infestado por patos e consequentemente por cagadas de patos. Chegamos na praia e pra nossa infelicidade não vimos loiras nórdicas fazendo topless. Também erramos na previsão do tempo: ao contrário do dia anterior, nesse dia fazia muito calor e estávamos de calça na praia. Porém não era isso que iria nos impedir de provar as águas do Mar do Norte. Tiramos os tênis, arregaçamos as calças, e fomos pra água que não era tão gelada, era nível Florianópolis. Na praia tinha até uma casa de banho sueco, mas não arriscamos entrar.

Saindo da praia fomos até a praça da prefeitura e almoçamos por lá mesmo. Na foto o prato parecia bom, mas tava bem ruinzinho. A cidade estava completamente vazia e tudo estava fechado porque era domingo. Por incrível que pareça estávamos com tempo de sobra e voltamos pra Copenhagen.

Em Copenhagen pegamos nossas malas no armário e fomos direto pro aeroporto e embarcamos rumo a Berlin. Em Berlin já nos sentíamos íntimos da cidade e já chegamos no albergue do Olli botando banca hehe Assistimos a pancadaria entre Holanda e Portugal tomando aquele chopp Gösser e depois fomos jantar no queridíssimo City Imbiss, o Döner Kebap do albanês.

29.8.06

Dia 15 - Copenhagen 24/06/06

Acordamos bem cedo para começar nosso city tour por Copenhagen. Pelo que vimos no mapa os pontos legais eram meio longe uns dos outros então íamos ter que andar bastante a pé e de metrô. Tudo levava a crer que ia ser mais um dia bem cansativo.

Depois de tomar o café-da-manhã profissional do albergue fomos pra estação de metrô. Chegando lá descobrimos de onde o Levy Fidélix tirou a idéia do Aerotrem! O metrô em Copenhagen não é so subterrâneo, ele tem partes no ar, no chão e debaixo do chão o que torna a viagem praticamente uma montanha russa. Pra ajudar, as estações e trens são totalmente automatizados, e a parte da frente do trem não tem "piloto". É um vidrão e tem assentos até lá na frente o que reforça a idéia de montanha russa porque você pode ver tudo. O trem dinamarquês foi o meu preferido pois além de tudo isso tinha um estofado legal, o melhor painel eletrônico de todos e o mais legal: um barulinho fantástico que fazia quando o trem ia partir (é indescritível, eu me senti participando de filmes futuristas).

Depois de vivenciar toda essa experiência revolucionária dentro do trem, chegamos na estação principal onde a princípio íamos tentar já nessa tarde pegar um trem pra Malmö, na Suécia. Porém, estávamos sem passaporte e o cara que vendia os bilhetes disse que era bom estar com passaporte então compramos os bilhetes pra ir no dia seguinte de manhã.

Saindo da estação, fomos dar um rolê pela área. A cidade é bem bonita e bem cara. Ao redor da estação tem prédios históricos como a prefeitura e o parque Tivoli. Rumamos até o castelo de Christiansborg e no caminho começamos a descobrir que Copenhagen é a cidade das estátuas verdes. Elas dominam a paisagem e estão em todo lugar, só não sabemos o porque da cor verde, mas enfim gosto é gosto.

Na nossa andança a pé, vários caminhões recheados de escandinavas e escandinavos bêbados passavam por nós gritando e acenando. Não descobrimos o que era aquilo, mas deduzimos que era algo relacionado a formatura porque eles estavam todos vestidos iguais e com chapéuzinhos. Sem querer acabamos caindo numa praça onde esse pessoal todo se encontrava e eles até dominaram uma estátua lá, escalando-a e zoando com o herói estatuado, uma clara falta de respeito!!!!

Depois dessa bandalheira, seguimos para a parte leste da cidade, onde íamos ver o mar e tirar foto com a musa de Copenhagen: a Pequena Sereia!! Sim, ela mesma, Ariel, aquela que inspirou filmes e tudo mais. A Pequena Sereia, e mais vários outros personagens de contos infantis, foram criados pelos irmãos Andersen, que são nativos da cidade. Eu já tinha lido em vários lugares que a estátua da dita cuja tornaria-se uma decepção ao turista mais empolgado pois não é nada demais, mas mesmo assim resolvemos ir e realmente não é nada demais, mas eu tirei minha foto assim mesmo.

Depois de ver a musa, seguimos em direção ao Kastellet. O Kastellet é uma fortaleza da Idade Média, em forma de estrela, à beira do mar. O negócio é cheio de trincheiras e um rio nojento intransponível o que fazia dela a principal estrutura de defesa de Copenhagen. Lá de dentro eles atiravam nos navios inimigos com canhões e de quebra podiam ficar sossegados pois ninguém ia invadi-los por terra. Dentro do Kastellet não tem muita coisa, mas naquele dia estava rolando um ritual estranho que entramos nele sem querer. Era tipo um evento de confraternização entre Dinamarca e Suécia e todos estavam trajados com roupas típicas carregando flores, bandinha com instrumentos e tudo mais.

Depois do Kastellet nosso tour de pontos turísticos estava fechado e voltamos pro centro pois precisávamos comer e assistir o jogo Alemanha x Suécia. A cidade é muito cara e estava complicado achar um lugar bom, então acabamos caindo no Burger King mesmo. Depois de comer fomos a um bar e encontramos uns brasileiros que havíamos encontrado antes olhando o cardápio de um outro bar. Lá assistimos o jogo até o fim e tomamos a cerveja mais cara da viagem: uns 7 euros por uma Carlsberg de 500ml.

Saindo de lá demos uma volta no centro velho e numa rua comercial, mas as lojas já estavam fechando e foi meio sem sucesso, só o Faggi que conseguiu comprar seu chapéu viking. No fim do dia voltamos pro albergue, assistimos a Argentina ganhar do México com um golaaaaço do Maxi Rodriguez e fomos dormir porque o dia seguinte seria histórico: 3 países no mesmo dia!!

10.8.06

Dia 14 - Dusseldorf/Copenhagen 23/06/06

Pra variar acordamos bem cedo e com sono. Esse pessoal de albergue tem que aprender com o staff do Olli no Heart of Gold de Berlim: café-da-manhã até meio dia! Nesse albergue de Hagen o café ia até as 9 e já estava incluso no preço, o que meio nos obrigava a acordar cedo pra não perder a boca livre.

Tomamos nosso café reforçado, pegamos nossos mochilões e começamos nossa viagem de hoje que não ia ser nada fácil. Estávamos vindo numa sequência de alguns dias seguidos de viagem de trem e a mochila estava pesando cada vez mais nas costas. Deixamos o albergue, pegamos o ônibus pra estação de Hagen e em seguida o trem pra Duesseldorf, de onde tomaríamos mais tarde o avião pra Copenhagen!

Dusseldorf é uma cidade grande, capital do Estado, então resolvemos chegar lá cedo (mesmo porque em Hagen não tem nada pra fazer) pra conhecer um pouco antes de ir pro aeroporto. Chegamos em Dusseldorf perto da hora do almoço e largamos nossas malas no armário da estação (Deus abençoe quem inventou armários em estações). Vendo no guia descobrimos que o ponto mais turístico da cidade é um pier entre duas pontes que atravessam o Rio Reno, então pegamos o metrô pra lá.

O lugar é bem legal mesmo, não estava muito calor, e deu pra dar uma relaxada legal. Fomos andando de uma ponte a outra até chegar na torre. Quase toda cidade grande da Alemanha tem uma torre que você pode subir e ver a paisagem. Como de costume, subimos mais uma vez e pudemos apreciar a vista de Dusseldorf e arredores.

Na volta, a sede já estava batendo e paramos pra tomar a cerveja típica de Dusseldorf: a altbier. É uma cerveja mais escura que só tem lá, e é muito boa, talvez a melhor dessas típicas que nós tomamos. A altbier é um orgulho pra cidade, que rivaliza com a cerveja kolsch de Colônia. Deu pra perceber isso quando perguntei pela cerveja pra garçonete do lugar:

Eu: Hi, do you have altbier?
Garçonete: Of course, you´re in Dusseldorf.

Terminamos nossa altbier e ainda tínhamos tempo e fome então fomos dar um rolê no centro antigo da cidade, que é logo atrás do pier. Paramos para comer um bratwurst como de costume e voltamos pra estação. Pegamos nossas malas e o trem pro aeroporto pois em breve iríamos conhecer o quarto país da nossa viagem: a Dinamarca!

Depois de um atraso de uma hora no vôo embarcamos no avião da Air Berlin já mais de 20hs rumo às terras escandinavas. Não sei se já disse aqui mas o mais legal da Europa no verão é que anoitece muito tarde, e quanto mais pro norte você vai, mais longo é o dia. Isso atrapalha no começo porque demora um pouco pra acostumar e você acaba cansando mais porque normalmente quando estamos passeando a gente meio que se controla pela mudança do dia/noite e não pelo relógio. Chegamos em Copenhagen por volta de 11 da noite e o céu ainda estava claro. As 22:30 dentro do avião dava pra ver que o Sol ainda brilhava, impressionante!!

Como já era meio tarde pegamos um táxi pro albergue. O táxi era absurdo, uma Mercedes com teto-solar, GPS, DVD e tudo mais, acho que nem precisava de motorista quase. Chegamos no albergue e logo percebemos que ele era um pouco longe de tudo, mas era grande pra caramba e bem limpo e organizado. Esse fator "longe de tudo" já impediu qualquer possibilidade de sair a noite então fomos logo dormir pra fazer o nosso primeiro city tour escandinavo no dia seguinte.

9.8.06

Dia 13 - Dortmund 22/06/06

Hoje tem Brasil x Japão em Dortmund então saímos logo cedo de Frankfurt rumo a Hagen, uma cidade próxima a Dortmund. Hagen é uma cidade de uns 200mil habitantes e fica há uns 20min de trem de Dortmund, se você pegar o trem mais rápido, e era lá que ficava o albergue da juventude.

Dentro do trem, na nossa cabine particular, constatei que eu não tinha pego o endereço do albergue, nem como chegar lá... como imaginei que nessa cidade seria difícil achar pessoas que falam inglês, isso seria um pequeno problema mas nada que umas palavras toscas em alemão não resolvessem. Porém, isso veio a se tornar um grande problema quando aconteceu a maior cagada da viagem, que vou contar a seguir.

Estávamos na cabine do trem, com nossas mochilas no bagageiro, relaxando felizes e contentes e trocando idéia com um holandês que sentou lá dentro. Antes de continuar, uma breve explicação sobre o esquema de paradas dos trens: existe um panfleto dentro das cabines chamado Reiseplan, é o plano de viagem. Esse panfleto mostra todo o trajeto do trem, as principais conexões das cidades que ele pára e o mais importante que é o horário de chegada e partida do trem. Pelo que vimos, o tempo em que o trem fica parado numa estação varia entre 2 e 3 minutos, e esse é o tempo que você tem pra sair do trem a partir do momento que ele chega senão suas portas fecham e você vai descer só na próxima parada (já estão imaginando a merda que aconteceu).

Então veio o anúncio que em poucos minutos estaríamos chegando na estação central de Hagen. Ainda éramos meninos em viagens de trem, então esperamos o trem realmente parar pra começar a pegar as malas (depois desse dia, nunca mais fizemos isso). Peguei minha mochila e saí do trem, fiquei esperando as duas mulas Véião e Faggi lá fora. Os segundos se passam e nada dos dois aparecerem. Aí eis que surgem em direção da porta mas dá o apito e a porta fecha. Aperto desesperadamente o botão pra abrir do lado de fora, e o Véião apertando do lado de dentro e nada da porta abrir. Não nos restou mais nada senão dar um tchauzinho de até logo e sentir, depois de 13 dias de viagem, que cagadas acontecem.

Bom, como administrar o problema? Eu estava na cidade certa, com o nome do albergue em mãos, sabia falar inglês e alemão e tinha um celular que funcionava. Ou seja, se eu estivesse viajando sozinho estava tudo ótimo. Era só descobrir como chegar no albergue, fazer o check in, me trocar e voltar pra estação pra pegar o trem rumo a Dortmund e ir pro jogo do Brasil. Os dois mulas não sabiam nem o nome do albergue, não falam alemão e não tem celular e estavam indo rumo a Dortmund, ou seja, pra eles voltarem pra Hagen ia demorar no mínimo 1 hora (30 pra chegar lá e 30 pra voltar, sem contar o intervalo que poderia ter até sair o próximo trem pra Hagen).

Chegando na estação, me surpreendi com o nível de organização da cidade. Tinha um quiosque oficial de informações da Copa dentro da estação, achei muito legal pra uma cidade pequena que nem tinha jogos. Depois, andando em mais cidades desse Estado (Nord-Rhein Westphalia) percebemos que tinha isso em todas as cidades, ao contrário dos outros Estados que havíamos passado.

Joguei na sorte e resolvi ir pro albergue. Fui no posto de informação, arranhei um alemão básico com o tiozinho do turismo (que estava de bermuda e chinelão e não falava inglês) e ele até imprimiu o itinerário do ônibus que eu tinha que pegar pra chegar lá, além de elogiar meu alemão (impressionante!!).

Depois de uma viagem de uns 20min de busão cheguei no albergue, me instalei no quarto (estava sozinho no quarto pra 4!), me preparei e voltei pra estação pra ir pro jogo. Chego na estação e já era hora do almoço, ou seja, hora de Bratwurst!! Tinha um trailer bem na frente da estação e resolvi comer lá. Por incrível que pareça o cara que vendia era brasileiro!!!! Aí fui pra estação, na esperança de encontrar os figuras na Fan Fest em Dortmund. Então pra minha surpresa eles foram mais espertos do que eu imaginava, e nós tivemos mais sorte do que imaginávamos porque logo que entrei na estação vi o Faggi! Aí eles me contaram o que aconteceu no trem: uma velha com um carrinho de mala emperrou no corredor e eles não conseguiram sair, aí foram até Dortmund e logo em seguida pegaram um trem pra voltar.

Como eu ia perder muito tempo se voltasse com eles pro albergue e como a sorte estava do nosso lado, deixei com eles o papel do busão e segui pra Dortmund. Combinamos vagamente (bem vagamente, já que ninguém conhecia a cidade) de nos encontrarmos na Fan Fest ou nos arredores do estádio. Cheguei na cidade e fui pra Fan Fest onde me encontrei com Maurício, Zadá e Mirela que também iam para o jogo. Seguimos pro estádio ainda sem ter a mínima idéia de como encontrar os caras mas tudo bem.

Chegando no estádio, uma grande invasão de brasileiros e japoneses. Vários grupos de brasileiros se formaram com a tradicional rodinha de pagode/samba/qqer merda e a zona e a festa estavam formadas. Encontramos a galera de sempre lá, presente em todos os jogos, demos uma enrolada e fomos pro estádio. Esse jogo era só relax, porque o Brasil já estava classificado, então fui vestido inteiro de Corinthians e acabamos vendo a melhor exibição brasileira na Copa.

Esse estádio era um dos que eu mais queria conhecer. Ele é um dos estádios mais tradicionais da Alemanha e é chamado de Ópera do Futebol. Suas arquibancadas são praticamente 4 tobogãs do Pacaembu, bem vertical, e são bem perto do campo, o que dá um ambiente de caldeirão. Além disso, abriga uma das maiores e mais fanáticas torcidas da Alemanha: a do Borussia Dortmund.

O jogo em si foi bem tranquilo. O Brasil jogou com o mixtão e mesmo assim passeou, apesar de sair perdendo. Se não fosse o goleiro japonês teríamos uma goleada histórica. Um dos momentos mais esperados por mim nessa Copa começou a ser desenhado neste jogo: Ronaldo igualou o recorde de Gerd Müller marcando um golaço de fora da área. A partir desse jogo surgiu o grito de guerra mais ouvido na Alemanha até as quartas-de-final: IH FUDEU, O RONALDO EMAGRECEU!! Na saída do estádio, encontrei o Maurício e fomos tomar a cerveja da vitória (que aliás foi a única cerveja ruim que tomei em toda a Alemanha). Na barraquinha encontramos dois franceses que ainda estavam encolhidos na humildade, já que a França nem tinha se classificado ainda e o Zidane estava suspenso pro último jogo. Falei pra eles que queria a França na final pra ver a despedida do Zizou e o cara riu da minha cara, disse que ele já tinha feito a despedida porque a França ia sair na 1a. fase, que o time era de velhos e tudo mais... ele devia ter acreditado em mim, o Zizou foi até a final.

Agora passado o jogo meu desafio era encontrar os figuras. Não sei como eles conseguiram me mandar uma mensagem pro celular. Estávamos mesmo com sorte naquele dia e depois de dar umas voltas no ginásio próximo ao estádio conseguimos encontrá-los e seguimos todos pra Fan Fest (eu, Maurício, Mirela, Zadá, Véião e Faggi). Aí o mais legal foi como eles conseguiram me mandar a msg: encontraram 2 brasileiras que moram na Alemanha na Fan Fest e pediram o celular emprestado em troca de cervejas!!!! A gente realmente sabe como se virar, ficamos todos orgulhosos da nossa atuação nesse dia.

Ficamos nas adjacências da Fan Fest curtindo com a galera e o mini-trio, tomando cerveja e comendo mini-pizza. Nesse dia infelizmente nos despedimos do Zadá, e brindamos por isso com certeza! Já era altas madrugas e precisávamos voltar para Hagen, que não era muito perto. Aí nossa sorte finalmente terminou. Fomos pra estação de metrô da Fan Fest e descobrimos que não tinha mais metrô pra estação central. Tivemos que dar uma caminhada de uns 30min num frio desgraçado, mas beleza. Chegamos na estação e pegamos o trem da madruga (ajudados por staff brasileiro, que ficou de plantão até a madrugada na estação) rumo a Hagen. No trem, só figuras bizarras: bêbados, pessoal dormindo, pessoas com cara de bandido, bêbados, possíveis drogados e bêbados. Chegamos a Hagen e pegamos um táxi para o albergue. Dia seguinte vamos pra Dusseldorf pegar um avião para a longínqua Copenhagen, na Dinamarca!!!

4.8.06

Dia 12 - Frankfurt 21/06/06

Saímos de Zurich na Suíça e pegamos um trem rumo a Frankfurt, de volta à Alemanha. Nesse mesmo dia iria rolar em Frankfurt o jogo mais esperado da 1a. fase da Copa: Argentina x Holanda. Claro que a gente não ia pro estádio mas como o próximo jogo do Brasil era em Dortmund no dia seguinte, e Frankfurt era a metade do caminho, resolvemos parar lá pra acompanhar o jogo na Fan Fest.

Já na estação de Frankfurt percebemos que iamos presenciar a invasão holandesa parte 2. Frankfurt é bem mais perto da Holanda do que Leipzig e a invasão foi ainda maior. Saímos da estação e fomos pro albergue numa árdua caminhada carregando as mochilas naquele calor infernal. O albergue era gigantesco, o maior que pegamos na viagem, e melhor: era EM FRENTE a Fan Fest!!! Era a melhor localização que podíamos escolher, e ainda foi sem querer. Por ser grande e estar lotado, o banheiro não era grande coisa mas tinha a melhor visão do telão da Fan Fest e dava pra assistir o jogo de lá tranquilamente.

Jogamos as malas no quarto e saímos pra dar um rolê na cidade. Vesti minha camisa de Carlitos Tevez e encarei a massa laranja. Os holandeses são os torcedores mais legais, eles são divertidos, pacíficos e fantasiados então não há nenhum problema. A Fan Fest de Frankfurt é muito bonita de fora, porque o telão fica no meio do Rio Main, mas justamente por isso ela é péssima pra entrar. Foram montadas algumas arquibancadas de um lado e do outro espaço livre, mas como é na margem do rio, o espaço é muito pequeno e lotou muito rápido, nem tentamos entrar.

Andamos até o fim da Fan Fest e paramos numa barraca pra comer um bratwurst e tomar uma cerveja porque o sol e a fome estavam castigando. A barraca estava cheia de holandeses bêbados e aí rolou outro diálogo histórico da viagem:

Holandês bêbado de 2,10m: uhjsadhkjasjfjweipotrykglmfkm? (qqer merda em holandês)
Faggi: I only speak English, man.
Holandês: ok, I can tell in English...
Holandês: If I was a woman, would you fuck me?
Faggi: Only if you were gorgeous and hot!
Holandês: If I increase my breast and hide my dick between my legs, would you? (fazendo os respectivos gestos com a mão no seu corpo!)
Os 10 holandeses de 2,10m a sua volta quase morreram de rir derrubando cerveja uns nos outros......
Faggi: In this case, no!
Holandês: But, I promise you I'll be hot!
Os 10 holandeses de 2,10m a sua volta quase morreram de rir derrubando cerveja uns nos outros novamente......
Faggi: No, no, sorry, perhaps next time!
Os 10 holandeses de 2,10m a sua volta riram novamente, e nosso amigo parou de falar e pegou outra cerveja e brindou com eles.

Depois que Faggi se desvencilhou dessa situação constrangedora, começamos o caminho de volta pro albergue pra encontrarmos o Maurício, que estava "sediado" em Frankfurt durante a Copa toda. Encontramos o Maurício, também devidamente trajado de argentino, na frente do albergue e fomos dar mais uma volta na cidade. Passamos por umas praças lotadas de holandeses, os caras até fantasiaram umas estátuas e jogaram corante laranja na água da fonte. Fomos até a Main Tower, um predião lá, pra subir e ver a cidade de cima. A visão é bem legal, dá pra ver a Fan Fest inteira, o estádio, a estação de trem e tudo mais.

Voltamos pra área do albergue já prontos pra ver o jogo. A rua estava lotada, 90% holandeses e 10% argentinos, mas tudo na paz. Por sorte achei um cartão de entrada do albergue dentro do meu armário e conseguimos colocar o Maurício pra dentro pra assistirmos o jogo no bar do albergue. As varandas dos andares e até o banheiro com visão perfeita já estavam tomados de torcedores. Entramos no bar e tinha pouca gente lá, o pessoal estava vacilando porque além de ter uma TV legal a cerveja também era bem mais barata e tinha até porção de fritas!! Com o passar do tempo o bar foi enchendo e alguns holandeses começaram a olhar feio pra nós a cada drible de Carlitos mas depois que a torcida Argentina foi aumentando eles ficaram de boa. O jogo na verdade foi bem meia boca, mas a comemoração foi digna de final de Copa. Na verdade ninguém tava muito preocupado com o resultado, já que os dois times estavam classificados, e todo mundo foi pra rua festejar. Aí viemos a descobrir que os holandeses que estava no bar eram da bandinha!!! Os caras começaram a tocar várias musiquinhas legais e a galera acumulou em volta. Tocaram os hits da Copa, tocaram Funiculi Funicula, We are the Champions e tudo mais. Quando acabou a agitação voltamos pro albergue, e o saldo da festa foi que me arrumei dois chapéus holandeses: um de pneu moicano e um de telhado!!

Dia seguinte é dia de Brasil x Japão, e vamos rumo a Hagen, uma cidadezinha próxima à Dortmund que nos abrigará por uma noite.

3.8.06

Dia 11 - Zurich 20/06/06

Zurich definitivamente foi um pit stop mais que necessário nesse primeiro terço de viagem. Vínhamos numa correria intensa e às vezes é bom dar uma relaxada. A cidade é muito calma, não fazia aquele calor de rachar que estava na Alemanha e não havia clima de Copa do Mundo, ou seja, perfeito pra purificar o fígado, o pulmão e o cérebro pois no dia seguinte já voltaríamos à Alemanha.

A cidade é pequena e não tem muitos pontos a visitar. Nos arredores do albergue há a maior igreja da cidade. Subimos na torre e pudemos ter uma visão legal da cidade e dos Alpes, que obviamente estava sem neve e o tempo meio encoberto também não ajudava na visualização. Saímos da igreja e fomos dar um rolê na beira do rio Limmat. Este rio corta a cidade e desemboca no Lago Zurich. Fomos andando até o lago e, como era hora do almoço, muita gente senta nos bancos na beira do lago e faz tipo um pic nic. Lógico que nós, tradicionais habitantes zuriquenhos, não podíamos ficar de fora. Após constatarmos que a Suíça era uma forte concorrente no top5 das mulheres, fomos até o mercado e compramos uns lanches, cerveja e refri pra comer como típicos suíços.

Depois do nosso pic nic continuamos nosso passeio desintoxicante de volta ao albergue. No caminho paramos em mais um mercado e compramos queijo suíço e chocolate suíço. Paramos num bar pra ver algum jogo da Copa que não lembro (acho que era Alemanha x Equador) mas o sono falou mais alto e fomos tirar mais um cochilo antes de sair pra noite.

Dia 20 era uma terça-feira e fui pegar dicas de baladas com o cara da recepção do albergue. O cara logo me desanimou dizendo que as baladas mais fortes eram longe do albergue e precisaríamos voltar de táxi, que é caríssimo como tudo na Suíça. Além disso, de terça não rola muita coisa na cidade (estamos mal acostumados com as baladas non-stop de São Paulo). Perto do albergue ele nos recomendou passear na beira do lago que podia ter algum movimento de jovens e elegantes mulheres suíças e foi isso que resolvemos fazer na nossa última noite na Suíça em 2006 (me esperem de volta em 2008!!).

Fomos até o lago mas estava bem vazio, e percebi que o cara só estava querendo me agradar porque eu perguntei com tanta empolgação onde era a balada (falei que I want to meet Swiss girls) e senti que ele falou qualquer coisa só pra não me decepcionar na hora. No fundo foi bom porque completamos nosso programa de desintoxicação com sucesso. Na volta pro albergue paramos em alguma barraquinha turca/libanesa/árabe pra comer aquelas comidas podres de rua e encontramos um pub. Entramos no pub as 23:50, e ele fechava meia noite. Lá não tem essa de último cliente, eles prezam mais a qualidade de vida (dormir e acordar na hora certa) do que a parte financeira. Pedimos uma cerveja, mesmo avisados que teríamos que tomar rápido pois estavam fechando. Quando deu umas 23:58 a garçonete passou pelos clientes avisando "finish your beers, we´re closing". Foi um desperdício pois o bar parecia ser muito legal, pena que só o descobrimos 10 minutos antes de fechar.

Voltamos e dormimos cedo mais uma vez. Apesar de ser tudo caro, de comermos e bebermos mal, ficamos com uma ótima impressão da cidade. Mulheres lindas, elegantes, ar puro, clima de interior e chique ao mesmo tempo, enfim, é uma cidade que eu moraria fácil.

No dia seguinte iríamos voltar ao clima de Copa, rumo a Frankfurt pois naquela cidade iria rolar o jogo mais esperado da 1a. fase: Argentina x Holanda.

2.8.06

Dia 10 - Zurich 19/06/06

Acordamos por volta de 9h, mais uma vez acumulando o sono, na pressa pra pegar o trem das 10 e pouco rumo a Munique. Nos despedimos de Zadá, Zé Toninho e Niara (brevemente, pois nos encontraríamos alguns dias depois em Dortmund) e fomos à estação de Dorfen. Lógico que tudo com emoção pois estávamos em cima da hora e o Zé Toninho insistia em tirar uma última foto, sem perceber que a câmera estava sem bateria.

Pegamos o trem pra Munique a tempo, compramos comida na estação e embarcamos rumo à Zurich, nosso segundo destino fora da Alemanha. Após umas 4 horas de viagem chegamos ao nosso destino já no fim da tarde, logo após a Suíça ter ganho de Togo por 2-0. Me surpreendi, achei que eles nem ligavam pra futebol mas estava até que uma festa na rua, vários carros passando buzinando e tudo mais.

Apesar de uma chuvinha chata, caminhamos com nossas pequenas mochilas até o albergue, que era há uns 10 minutos da estação. Os arredores do albergue eram muito legais. Ele fica no centro antigo da cidade e todas as ruas em volta são calçadões com vários bares, lugares pra comer, além de ser a apenas alguns metros do rio Limmat.

Estávamos completamente quebrados e resolvemos tirar essa noite pra descansar. Deixamos as coisas no albergue e tiramos um cochilo, aí acordamos e fomos comer um Döner Kebap perto do albergue, demos uma volta pra conhecer o local e voltamos pra dormir, porque o dia seguinte era dia de city tour em Zurich!

Ah, esse foi o único dia da viagem que eu não tomei cerveja!!!

Incrivelmente não tem fotos desse dia... só a gente no trem mas aí não tem graça.

Dia 9 - Munique 18/06/06

Dia 18 era o dia do segundo jogo do Brasil, contra a Austrália. Acordamos meio tarde por causa da esticada na madruga anterior, tomamos café da manhã na casa e fomos direto pro estádio. Eu e o Zadá tínhamos ingressos e o resto não.

Chegamos bem cedo na área do estádio e largamos Zé Toninho, Niara, Véião e Faggi antes de passar perto da polícia pra não embaçarem com 6 pessoas no carro. Fomos então eu e o Zadá tentar estacionar, mas como chegamos muito cedo os estacionamentos estavam fechados e tivemos que ficar uma meia hora rodando em torno do estádio (que aliás é o mais impressionante de todos, logo que você entra na estrada já dá de cara com ele).

Quando deu 15hs (o jogo era às 17) estacionamentos e fomos pra frente do estádio onde encontramos o Maurício e o Fernando, que estava desesperado procurando o cara que ia entregar o ingresso dele e mal conversou conosco. Antes de entrar no jogo mais uma vez arrisquei o placar, e errei de novo.

Tirei umas 5 fotos em frente ao estádio, porque a cada metro que chegávamos mais perto ele ficava ainda mais impressionante. Lá dentro encontramos toda a galera em frente um dos bares, que foi transformado numa mini Marienplatz. Os brasileiros dominaram o local e fizemos uma zona legal até momentos antes do jogo. Fui até o meu lugar e pude ver que o estádio era mesmo impressionante e viria a ser o líder do meu top5 de estádios (que será publicado algum dia neste blog). O jogo mais uma vez não foi muito bom, a torcida brasileira meia boca novamente mas ganhamos e com um gol no fim do jogo que sempre dá aquela levantada na torcida e todo mundo volta pra casa (ou pra praça) com um sorriso no rosto.

Na saída do estádio encontrei Zadá e Maurício, além do Zé Toninho e da Niara que assistiram o jogo por lá mesmo. Pegamos o carro e fomos pra Fan Fest encontrar o Véião e o Faggi. A Fan Fest já estava meio miada, mas mesmo assim tomamos a segunda cerveja da vitória, comemos alguma coisa e seguimos pra Marienplatz onde definitivamente o bicho pega!!

Como estávamos agora em 7, eu, Véião e Faggi fomos de metrô. Tínhamos combinado de nos encontrar na Höfbrauhaus, a cervejaria mais antiga do mundo, próxima à Marienplatz. Como de costume, o lugar estava entupido e não rolou. Então fomos só nós três mesmo numa cervejaria próxima, a Schneider & Sohn. Apesar do extremo mau humor das garçonetes, que tinham que lidar com uma superlotação do local, além de brasileiros e australianos cantando e ingleses (sempre eles) bêbados, conseguimos sentar, amarrar nossa bandeira do Brasil na parede e pedir um prato de salsichas com cerveja. O que sentimos falta na Alemanha foi de acompanhamentos pra cerveja. Não é igual no Brasil que você pede uma porção de fritas, ou de calabresa, lá os pratos são individuais. Então resolvemos improvisar: pedimos 2 pratos de salsichões e juntamos tudo em um só, cortamos em cubinhos, colocamos a mostarda e comemos de palitinho, pra desgosto total da garçonete idosa mau humorada.

Saindo da cervejaria fomos pra Marienplatz encontrar a galera. O lugar estava mais uma vez bombando, igualzinho a noite anterior, e pouco importava o resultado do jogo,o que o pessoal queria mesmo era beber e xavecar a mulherada internacional. Dessa vez encontramos mais gente ainda, a Simone, Ana, Carioca, Mirela, Márcio, Maurício, Humberto e um monte de gente que não lembro. De novo acabou a cerveja da barraca e junto com ela acabou a festa.

Novamente tínhamos uma estrada pra pegar, e novamente os seis estavam bêbados de sono (e de cerveja?? hehe). Dessa vez o Zadá dirigiu e eu de novo fui o co-piloto, mas decepcionei. Fiquei mais dormindo que acordado e só abria o olho de 5 em 5 minutos e muitas vezes perdia uma placa importante. Resultado: passamos uns 50km da entrada da estrada de Dorfen e aumentamos nossa viagem em mais de uma hora. Chegamos mais uma vez na alta madrugada pra dormir pela última vez na casa do Tio Stefan porque no dia seguinte tínhamos um trem pra pegar rumo a Zurich, Suíça!